Investimento sustentável: entendendo os limites e considerando os créditos

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por O Diretório
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Para responder a esta pergunta, precisamos entender o papel das commodities de energia na economia. Como o petróleo bruto, o gás natural e os destilados são uma contribuição direta ou indireta para todos os setores (incluindo o setor de energia), a estimativa das emissões nos processos de produção já incorpora as emissões baseadas na combustão. Como a avaliação está contida no processo de produção e abrange todo o universo das commodities, as emissões pelo uso de energia são capturadas pela estrutura de análise. Adicionar explicitamente as emissões do consumo de energia levará à duplicação da contagem de emissões.

E os créditos de carbono?

Nos últimos cinco anos, o uso de futuros de crédito de carbono para “zerar” as emissões dos portfólios de commodities tradicionais baseados em derivativos se popularizou. O objetivo é neutralizar as emissões incorporadas ao ciclo de produção de commodities. Parte da popularidade dos créditos de carbono se dá por conta dos fortes retornos trazidos por estes futuros por diversas razões, incluindo as mudanças regulatórias já esperadas. No entanto, há três principais razões para ter cautela.

Primeiramente, os créditos de carbono foram idealizados para uso por empresas que buscavam compensar as emissões físicas, semelhante ao uso inicial do Credit Default Swap pelos detentores de títulos. A necessidade de aderir a um “orçamento de carbono” pode exigir a compra de compensações de carbono, o que pode ser visto como um imposto sobre as emissões. Como os detentores de derivativos não produzem emissões físicas, é difícil enxergar como este uso se aplica aos investidores financeiros. Na verdade, em nosso artigo anterior sobre este tópico (“Can you extend sustainable investing to commodity indices?”), debatemos a necessidade de construir uma interpretação alternativa para os investidores avaliarem o impacto do seu investimento (‘apoio ao financiamento’) em vez da visão tradicional de ações e renda fixa de “emissões do portfólio”.

Em segundo lugar, se os investidores pretendem usar os créditos de carbono para compensar a exposição aos futuros de commodities, os futuros de carbono precisariam ser mantidos até expirarem — anulando efetivamente o investimento. Isso seria punitivo do ponto de vista do retorno do portfólio e, como esperado, as implementações mais comuns simplesmente rolam a exposição para um contrato mais longo antes do seu vencimento — evitando efetivamente a compensação. De fato, mesmo que os investidores mantenham os futuros de carbono até o vencimento, a agregação das emissões de GEE em todas as commodities não busca dar um maior/menor peso às emissões por unidade de commodities — em vez disso, elas tratam a carteira de forma única. Isso implica em um objetivo diferente de um portfólio tradicional.

Por fim, para uma determinada commodity, o “preço” de uma unidade de emissão de GEE varia conforme a região. A dinâmica de preço dos créditos de carbono varia de região para região, já que é uma estrutura que efetivamente dependente da localização geográfica por conta das regulações, e é regida por políticas governamentais que determinam a oferta e a demanda por créditos e a eficiência das empresas locais. Dessa forma, se um investidor decidir compensar as emissões atribuídas dentro do portfólio de commodities, como será composta a carteira de crédito de carbono? Isto levanta ainda mais questões computacionais, de liquidez e operacionais, como: a combinação de créditos de carbono precisa ser comparada ao perfil de produção geográfica de cada commodity e quais são os contratos disponíveis para compensação? Dadas as dificuldades levantadas acima, a incorporação de créditos de carbono em uma estrutura de compensação de carbono pode ser vista como prematura; com razões que vão desde os casos de uso tradicionalmente planejados até sua implementação.

Quais são as implicações para os investidores?

A exposição financeira aos mercados de commodities tem sido tradicionalmente adquirida nos mercados de futuros. Os investidores que buscam exposição ao ciclo econômico, hedge de inflação e diversificação dos retornos de ações e renda fixa, fazem rolagem das posições de futuros antes do vencimento. A exposição puramente financeira, sem a entrega física do ativo, faz com que os investidores (1) desempenhem o papel de provedores de liquidez sem vínculo direto com a demanda e a oferta da commodity e (2) não tenham a capacidade de especificar o caso de uso downstream, incluindo a localização geográfica. Dado o papel dos investidores, a consistência na medição exigiria que as emissões calculadas para cada commodity fossem restritas aos processos de produção. O objetivo dos créditos de carbono, juntamente com a especificidade geográfica da precificação do carbono, tornam desafiador sua incorporação em uma estrutura em que o objetivo é reponderar as commodities em uma referência tradicional, em linha com os princípios do desenvolvimento sustentável.

O índice de referência Bloomberg Carbon Tilted Commodity (ticker do Terminal Bloomberg é BCOMCA Index) é um índice que redistribui o peso do índice de referência Bloomberg Commodity (BCOM) com base nas emissões calculadas dos processos de produção de cada commodity. O processo de reponderação é restrito aos setores individuais para refletir o fraco requisito de substituibilidade para as commodities que estão com maior/menor peso.

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Fonte: Externa

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